Reforma Tributária expõe fragilidades do Simples Nacional no modelo B2B, aponta estudo do IBPT

Reforma Tributária expõe fragilidades do Simples Nacional no modelo B2B, aponta estudo do IBPT

Mais de 70% das empresas optantes pelo Simples não vendem ao consumidor final e podem perder competitividade com as mudanças trazidas pela reforma.


A ameaça invisível ao Simples Nacional

A Reforma Tributária, que promete simplificar o sistema de impostos sobre consumo no Brasil, pode trazer efeitos colaterais significativos para pequenas e médias empresas. O alerta vem de um estudo inédito do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que mostra como o regime do Simples Nacional pode perder atratividade para negócios que atuam no modelo B2B (business to business).

De acordo com o levantamento “Raio-X do Simples Nacional em 2025”, mais de 70% das empresas enquadradas no Simples não vendem diretamente ao consumidor final. Essa característica torna esses negócios especialmente vulneráveis às mudanças na lógica de créditos tributários que serão introduzidas com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), cuja transição começa em 2026.


O ponto crítico: créditos tributários

Para o diretor do IBPT e autor do estudo, Dr. Carlos Pinto, a mudança no modelo de créditos tributários é o maior risco para os pequenos negócios do Simples.

“Com a reforma, a regra muda: o crédito passará a ser equivalente ao imposto efetivamente pago pelo prestador. Se a empresa optar pela segregação da CBS e do IBS, como sugere o governo, toda a lógica que se conhece mudará”, explica.

Atualmente, as empresas tomam créditos de PIS e Cofins em 9,25% sobre o valor da nota fiscal, independentemente do regime tributário do fornecedor. Com a nova sistemática, empresas no Simples Nacional tendem a gerar menos créditos, reduzindo sua competitividade frente a fornecedores enquadrados no Lucro Real ou Presumido.


Setores mais impactados

O estudo revela que setores estratégicos podem ser os mais atingidos pela reforma:

  • Tecnologia e serviços digitais: grande parte das empresas de TI está no Simples, mas presta serviços a companhias que demandarão créditos tributários.
  • Confecções: 84,6% das empresas fornecem para lojistas e não vendem ao consumidor final, tornando-se menos competitivas na nova lógica.
  • Logística e transporte de cargas: 62,3% das empresas do setor estão no Simples, mas podem perder espaço como prestadoras para indústrias.

Enquanto isso, negócios voltados ao consumidor final, como restaurantes, salões de beleza e pequenos comércios, devem continuar encontrando vantagens no regime simplificado.


Risco de perda de contratos e mercado

Segundo o Dr. Carlos Pinto, a alteração pode reduzir o interesse de grandes empresas em contratar pequenos fornecedores do Simples.

“As empresas do Simples Nacional, no formato que vemos hoje, não vão ser mais interessantes, porque não geram créditos suficientes a compensar os 28% que as empresas irão pagar”, destaca o especialista.

Embora a transição do novo sistema vá até 2033, os efeitos podem ser sentidos antes. Empresas que demorarem a se reposicionar correm o risco de perder contratos e espaço no mercado.


Caminhos para adaptação

Para o IBPT, a saída está no planejamento estratégico e na orientação especializada. Desde a revisão de contratos até o reenquadramento tributário, será necessário repensar a posição das pequenas e médias empresas dentro da nova realidade fiscal.

Além da reorganização interna, a mobilização coletiva é vista como essencial:

“É fundamental conscientizar os empresários sobre os riscos e levar esse debate às entidades representativas. As pequenas empresas precisam entender a dimensão das mudanças e se preparar para não perder espaço no mercado”, conclui Carlos Pinto.


O Simples Nacional sempre foi considerado um regime de apoio e incentivo à sobrevivência das pequenas empresas. No entanto, a Reforma Tributária traz novos desafios que podem reduzir sua atratividade em determinados setores, especialmente no modelo B2B.

O recado do estudo é claro: quem se preparar com antecedência terá mais chances de continuar competitivo em um mercado em transformação.

Fonte:Reforma Tributária expõe fragilidades do Simples Nacional no modelo B2B, diz estudo

Sobre o IBPT

Os estudos do IBPT são referências no mercado e visam identificar a carga tributária dos diversos setores da economia brasileira ou de uma empresa, especificamente. Eles fornecem um diagnóstico da tributação que incide sobre determinadas atividades, com dados suficientes para implementar uma gestão tributária e aumentar a competitividade. Realizamos pesquisas corporativas e de setores específicos para reduzir o peso dos tributos por meio de uma gestão tributária eficiente.

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