Saiu Na Mídia – 12/01 a 19/01

Se você teve a sensação de que trabalhou o primeiro semestre inteiro apenas para pagar boletos do governo, os dados confirmam: você não está errado. O cenário tributário brasileiro em 2025 e as projeções para 2026 desenham um quadro desafiador tanto para famílias quanto para empresários.

Novos levantamentos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e análises de mercado cruzam três realidades distintas — a renda do trabalhador, a gestão das empresas e a tributação sobre patrimônio — revelando o tamanho real do “sócio oculto” na economia brasileira.

Confira abaixo os três pontos críticos que estão moldando o bolso do brasileiro neste ano.

1. O trabalhador e o calendário: 149 dias de “trabalho grátis”

O dado mais impactante do ano vem do estudo sobre os dias trabalhados para pagar tributos. Em 2025, o brasileiro médio precisou trabalhar até o dia 29 de maio exclusivamente para quitar suas obrigações com a União, Estados e Municípios.

São 149 dias dedicados aos impostos, o que significa que 40,82% da renda média é absorvida pela tributação. Para se ter uma ideia da evolução dessa carga, em 1970, eram necessários apenas 76 dias. Em cinco décadas, o esforço tributário praticamente dobrou.

Segundo João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT, o grande vilão continua sendo a tributação sobre o consumo (ICMS, PIS, COFINS, ISS). Invisível aos olhos de muitos, ela incide sobre tudo o que compramos, penalizando proporcionalmente mais as famílias de baixa renda e corroendo o poder de compra antes mesmo de o salário cair na conta.

2. O abismo corporativo: Burocracia e Ineficiência

Se para a pessoa física o peso está no consumo, para as empresas o desafio é duplo: a carga tributária e o custo para calculá-la.

Enquanto a Reforma Tributária promete simplificação futura (com testes em 2026 e implementação total até 2033), o cenário atual ainda é de extrema complexidade. Dados do IBPT apontam que empresas brasileiras gastam, em média, 1.501 horas por ano apenas cumprindo obrigações fiscais acessórias — um tempo 195% superior à média da OCDE.

Para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs), isso representa um custo operacional “invisível” que pode chegar a R$ 2,5 milhões anuais.

Mas a culpa não é só do governo. Especialistas alertam que a “autossabotagem” interna agrava o cenário. Fernando Talaia, criador da metodologia Fórmula Empresarial, destaca que a ineficiência operacional (retrabalho e falta de controle financeiro) chega a consumir 42% da receita das PMEs.

O recado do mercado é claro: com a chegada da Reforma Tributária, empresas que não profissionalizarem sua gestão e não basearem decisões em dados (e não em “achismos”) correm risco real de não sobreviverem à transição.

3. O peso no patrimônio: A temporada do IPVA 2026

Fechando o cerco tributário, temos a taxação sobre a propriedade. O calendário do IPVA 2026 já é realidade, como visto no Rio Grande do Sul e em outros estados que iniciaram a cobrança antecipada com descontos para pagamento à vista.

Embora pareça apenas uma despesa anual de manutenção do veículo, o IPVA é um gigante arrecadador. Em 2024, o imposto gerou R$ 86,63 bilhões aos cofres públicos.

Para o contribuinte, a atenção deve ser redobrada: a inadimplência no IPVA impede o licenciamento anual, o que trava a circulação do veículo e gera multas gravíssimas. O planejamento financeiro de início de ano, portanto, não é opcional — é uma necessidade legal.

Conclusão: A Era do Planejamento

Ao analisar essas três notícias em conjunto, a conclusão é inevitável: não há espaço para amadorismo no Brasil, seja na gestão do orçamento doméstico ou no comando de uma empresa.

Com quase metade do ano trabalhado para o Estado e uma burocracia que drena a produtividade, a única defesa do contribuinte é a informação e o planejamento tributário e financeiro rigoroso.

Sobre o IBPT

Os estudos do IBPT são referências no mercado e visam identificar a carga tributária dos diversos setores da economia brasileira ou de uma empresa, especificamente. Eles fornecem um diagnóstico da tributação que incide sobre determinadas atividades, com dados suficientes para implementar uma gestão tributária e aumentar a competitividade. Realizamos pesquisas corporativas e de setores específicos para reduzir o peso dos tributos por meio de uma gestão tributária eficiente.

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